"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin)

domingo, 23 de setembro de 2018

3ªSérie - Expressionismo - 3ª Unidade - 2018


A palavra expressionismo pode ser aplicada em qualquer momento da história da arte para designar a obra que abandona as ideias tradicionais e expressa a emoção do artista através de deformações e exageros de forma e cor. O artista expressionista não retrata apenas o que ele vê, retrata também o que ele sente em relação ao fato que está presenciando, podendo para isso até deformar figuras.
A palavra expressionismo também foi utilizada para denominar uma tendência da arte européia moderna que predominou na arte alemã de 1905 a 1930 aproximadamente. Essa tendência pode ser vista como uma reação ao Impressionismo, que apenas se preocupava com as sensações de luz e cor e não com problemas vividos pela sociedade da época. O Expressionismo tinha como objetivo expressar as emoções e angústias do homem do início do século XX.
O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores patéticas, dá forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.
Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais.
Principais características:
Ü pesquisa no domínio psicológico;
Ü cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
Ü dinamismo improvisado, abrupto, inesperado;
Ü pasta grossa, martelada, áspera;
Ü técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões;
Ü preferência pelo patético, trágico e sombrio; 

OBSERVAÇÃO: Alguns historiadores determinam para esses pintores o movimento ”Pós Impressionista”. Os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas, mas queriam levá-los mais longe. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.

Principais artistas:

Gauguin (1848 – 1903) ligou-se ao Impressionismo e participou da quinta exposição coletiva desse movimento, em 1884, seus quadros já superaram, em alguns aspectos, a tendência impressionista: a tinta começa a ser usada pura, em áreas de cor bem definidas, os objetos passam a ser coloridos de modo arbitrário e a representação deixa de ser tridimensional.
Na década de 1890, ele viveu no Taiti e produziu uma série de telas que constitui a parte mais conhecida de sua obra. Seus quadros dessa época registram o espaço natural e a vida simples das pessoas livres do peso da civilização ocidental. Era um dos poucos amigos de Van Gogh.
Obra Destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga.

Cézanne (1839 – 1906) teve o início de sua carreira ligado ao movimento impressionista. Mas não tardou muito para que sua pintura tomasse outros rumos. Ele não se preocupava em registrar o aspecto passageiro de um momento provocado pela constante mudança da luz solar, como defendiam os impressionistas.
A partir da obra O Castelo de Médan se deu o rompimento com o grupo impressionista, pois a tendência de Cézanne em converter os elementos naturais em figuras geométricas - como cilindros, cones e esferas - acentua-se cada vez mais, de tal forma que se torna impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos.
Obras Destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne

Van Gogh -  (1853 – 1890) empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza através da cor, que para ele era o elemento fundamental da pintura. Foi uma pessoa solitária. Interessou-se pelo trabalho de Gauguim, principalmente pela sua decisão de simplificar as formas dos seres, reduzir os efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas.
Em 1888, deixou Paris e foi para Arles, cidade do sul da França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua pintura, e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores, declarando-se um colorista arbitrário. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras, sem nenhuma matização, pois elas tinham para ele a função de representar emoções. Entretanto ele passou por várias crises nervosas e, depois de internações e tratamentos médicos, dirigiu-se, em maio de 1890, para Anvers, uma cidade tranqüila ao norte da França. Nessa época, em três meses apenas, pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. Em julho do mesmo ano, ele suicidou-se, deixando uma obra plástica composta por 879 pinturas, 1756 desenhos e dez gravuras. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelo críticos, que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna, nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.
Obras Destacadas: Trigal com Corvos e Café à Noite.

Toulouse-Lautrec – (1864 – 1901) o que caracteriza a pintura de Toulouse-Lautrec é a capacidade de síntese, o contorno expressivo das figuras e a dinâmica da realidade representada. Quanto a temática, seus quadros afastam-se da natureza e voltam-se para os ambientes interiores: o circo, o bordel, o bar. A natureza, quando aparece, é mero cenário, apresentado de forma imprecisa, pois não merece do pintor o mesmo cuidado com que procura recriar o drama pessoal de seus contemporâneos.
Toulouse-Lautrec soube captar em sua pintura, como nenhum outro artista, a sociedade e o ser humano para além da aparência de felicidade, sentimento quase obrigatório nos últimos anos do século XIX, alegremente chamados de “belle époque”.
Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris, e também foi responsável pelos cartazes das artistas que se apresentavam no Moulin Rouge. Boêmio, morreu jovem.
Obra Destacada: Ivette Guilbert que Saúda o Público.

Munch – (1863 – 1944) É considerado, por muitos estudiosos das artes plásticas, como um dos artistas que iniciaram o expressionismo na Alemanha.
Estilo artístico:
- Abordagem de temas relacionados aos sentimentos e tragédias humanas (angústia, morte, depressão, saudade).
- Pintura de imagens desfiguradas, passando uma sensação de angústia e desespero.
- Forte expressividade no rosto das personagens retratadas.
- Pintura de figuras marcadas por fortes atitudes.
Sua obra O Grito é um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. Nela a figura humana não apresenta sua linhas reais mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. As linhas sinuosas do céu e da água, e a linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador.
Obras: A Criança Doente e o Grito

Referências:
PROENÇA, Graça. História da Arte. Ática. São Paulo. 2000.
_____________.Descobrindo a História da Arte. 1ª Ed. São Paulo. Ática. 2005.



Atividade


1-    Após a leitura do texto defina o expressionismo.
2-    Quais as características da arte expressionista?
3-    Quais as características das obras de Gauguin?
4-    Quais as características da pintura de Toulouse-Lautre?
5-    Por que a obra o grito de Munch sensibilizou os artistas ligados a essa tendência?
6-    Quais as características da pintura de Van Gogh?
7-    Diferencie o artista impressionista do artista expressionista.


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

3ª Série - Impressionismo - 3ª Unidade - 2018



O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Criou uma nova visão conceitual da natureza utilizando pinceladas soltas dando ênfase na luz e no movimento. Geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as nuances da luz e da natureza.
O Impressionismo é a valorização total da cor - elemento tipicamente emotivo - e o abandono do contorno, da forma e do volume. Essa concepção foi levada ao extremo pelos pós-impressionistas, pontilistas como Seurat e Signac.
Os pintores impressionistas procuraram, a partir da observação direta do efeito da luz solar sobre os objetos, registrar em suas telas as constantes alterações que essa luz provoca nas cores da natureza.
Na realidade, não houve nenhuma teoria que orientasse a criação artística desses pintores. Havia apenas algumas considerações gerais, muito mais práticas do que teóricas, que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizaram a pintura impressionista.
Como movimento ou escola de pintura, no sentido usual que se costuma dar a esta expressão, o impressionismo apareceu em 1874, Paris. Foi apresentado por um grupo de artistas na maior parte ainda jovens e desconhecidos do grande público, filiados diretamente aos realistas e, mais remotamente, às liberdades colorido dos românticos, especialmente de Delacroix e de Corot, não encontraram por isso mesmo facilidade de expor no Salão de Paris. Na época, controlado pelos mestres da escola de belas-artes, o Salão de Paris constituía a única oportunidade para revelação e consagração de um artista, pois ainda não se haviam multiplicado e diversificado os meios de comunicação do artista com o público, desde numerosas galerias, salões independentes e bienais, como acontece nos nossos dias.
Em face da sistemática recusa dos júris conservadores do Salão de Paris e do isolamento em que viviam do grande público, numerosos artistas independentes resolveram organizar-se numa associação profissional, com o objetivo de promover exposições coletivas das obras dos associados. A idéia partiu de um deles, Claude Monet, mais tarde reconhecido chefe da nova escola de pintura.
A 15 de abril de 1874 entre dificuldades fáceis de imaginar, a cooperativa realizava a sua primeira exposição coletiva, nas salas do atelier do fotógrafo Felix Nadar. Foi a primeira vez que o público teve contato com a obra dos impressionistas. Mas o público e a crítica reagiram muito mal ao novo movimento, pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura.
O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio fotográfico de Nadar, na Rua de Capucines, Paris.


Principais Características:
·         A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol.
·         As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens.
·         As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado.
·         Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos.
·         As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se óptica.




Principais artistas:

ü  Claude Monet (1840-1926), sua grande preocupação são as pesquisas com a luz solar refletida nos seres humanos e na natureza.
Incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em diversas horas do dia, afim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade.
O quadro Mulheres no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol. São cenas do jardim da casa do artista.
Obras Destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em Pleno Sol.
Essa forma de pintar teve início com Édouard Manet (1832-1883). Ele utilizou em suas obras cores vibrantes e luminosas, abandonando o método acadêmico de suaves graduações de cores. Em 1863 Manet enviou para o Salão Oficial dos Artistas Franceses a obra Almoço sobre a Relva, quadro que foi rejeitado e severamente criticado pelo comitê de seleção do salão, pois rompia com os critérios morais da época.
Obras: O Balcão

            Claude Monet pintando em seu Barco-Estúdio


ü  Pierre-Auguste Renoir (1841 – 1919) - foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da crítica, ainda em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e sensualidade, preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens do cotidiano, os retratos e as naturezas mortas.
Obras Destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouillière.

ü  Edgar Hilaire Germain Degas - sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Além disso, foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas, aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o teatro de bailados.
A contribuição mais importante de Degas para a pintura moderna é a angulação oblíqua e o enquadramento das cenas, com objetos e pessoas em primeiro plano, o que dá maior profundidade ä composição. Essa característica revela a grande influência que a fotografia exerceu sobre ele. É inegável, a semelhança de muitos de seus quadros com fotografias instantâneas, pois as pessoas são pintadas como se estivessem sido imobilizadas em plena ação que realizam, despreocupadas com a presença do artista.
Além de um grande pintor – participou de sete das exposições impressionistas, também modelou uma série de esculturas a partir de 1880. Entretanto, apenas uma delas foi exposta, Bailarina de Quatorze Anos, em 1881, no sexto Salão Impressionista. Degas vestiu essa escultura com um saiote de bailarina e na cabeça colocou uma fita , o que causou um grande impacto no público.
Depois da morte de Degas, 74 esculturas, principalmente em cera, foram encontradas em seu estúdio. Por serem demasiadamente frágeis, essas esculturas foram modeladas em bronze e muitas delas serviram de modelo para outros escultores. Degas foi reconhecido como um grande escultor do século XIX, porém suas esculturas não são tão conhecidas como as de Auguste Rodin.

Obra Destacada: O Ensaio.

ü  Eliseo d'Angelo Visconti  (1866 – 1944) - ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos; procura, decididamente, registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas. Ganhou uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos impressionistas. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira.
ü  Após sua volta definitiva ao Brasil, em 1920, outra luminosidade e outras cores exerceriam influência sobre ele, levando-o a criar um impressionismo próprio, retratado em suas paisagens de Teresópolis, cheias de atmosfera luminosa e transparente, de radiosa vibração tropical.
Obra destacada: Moça no Trigal.
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Referências:
PROENÇA, Graça. História da Arte. Ática. São Paulo. 2000.
_____________.Descobrindo a História da Arte. 1ª Ed. São Paulo. Ática. 2005.
LEONARDI, Ângela Cantele. Arte e Habilidade: 8º ano. IPEB, 2012

Atividade

01 – Por que o Impressionismo revolucionou a pintura no século XIX?
02 – Quais as características da arte Impressionista?
03 – Qual a reação do público a primeira exposição impressionista?
04 – Por que o grupo de artistas que fundaram o impressionismo não conseguiu expor no salão de Paris?
05 – Por que era importante para o artista expor nesse salão?
06 – O que marcou o início do impressionismo?
07 – Quem foi o fundador do impressionismo?
08 – Comente as pinturas de Renoir.
09 – Por que alguns quadros de Monet foram pintados ao ar livre e sempre a luz do sol?
10 – Por que Visconti é considerado o representante do Impressionismo no Brasil?