"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin)

domingo, 21 de abril de 2019

1ªSérie: REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DA MÚSICA OCIDENTAL: DA PRÉ-HISTÓRIA À ATUALIDADE - 1ª Unidade - 2019


A História da música é o estudo das origens e evolução da música ao longo do tempo.
Até poucas décadas atrás o termo ‘história da música’ significava meramente a história da música erudita européia. Foi apenas gradualmente que o estudo da música foi estendido para incluir a fundação indispensável da música não européia e finalmente da música pré-histórica. Há, portanto, tantas histórias da música quanto há culturas no mundo e todas as suas vertentes têm desdobramentos e subdivisões. Podemos assim falar da história da música do ocidente, mas também podemos desdobrá-la na história da música erudita do ocidente, história da música popular do ocidente, história da música do Brasil, História do samba e assim sucessivamente.

A Música através dos tempos:
Povos Antigos: Nenhuma hipótese diz com exatidão o momento em que os primitivos começaram a fazer arte com os sons. Suspeita-se que já as pessoas das cavernas brincavam com os sons e davam á sua música um sentido religioso. Consideravam um presente dos deuses, davam a ela um caráter ritualístico e com ela reverenciavam o sagrado. Ritmavam suas danças com pancadas na madeira. Imitavam os barulhos e os sons da natureza, o sopro do vento, o ruído das águas, o canto dos pássaros. Por fim misturavam palmas e roncos, pulos e uivos, batidas e berros. Certamente assim nasceu a música, a partir da organização de muitos sons. Chama a atenção, no entanto, o fato de a origem da música esteve ligada com a experiência humana com Deus, com o Sagrado.

Idade Média: A música na antiguidade e nos primórdios da Era Medieval tem apenas uma linha melódica cantada e tocada por todos os executantes e é frequentemente chamada monofonia. No início da Idade Média, todos cantavam tanto a música sacra como a profana ou secular (não religiosa) na forma monofônica.
Depois desejaram cantar e tocar uma música mais interessante e mais complexa do que a monofônica. Reuniram duas ou mais melodias, criando um tipo de música chamada polifonia, que significa muitos sons. A polifonia apareceu na Europa mais ou menos no século IX. O contraponto (escrita polifônica) desenvolveu-se nos 800 anos seguintes.

Renascimento: A Renascença, na música, data do século XIV no sul da Europa e de um pouco mais tarde no norte europeu. Os compositores desejavam escrever música secular sem se preocupar com as práticas da Igreja. Sentiam-se atraídos pelas possibilidades da escrita polifônica, na qual cada voz podia ter sua própria linha melódica. A escrita polifônica fornecia oportunidades técnicas para efeitos de grande brilho, que eram impossíveis até então. Uma forma secular de composição, o Madrigal, surgiu no século XIV, na Itália. Os compositores escreviam Madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. Durante a Renascença, a música inglesa atingiu o apogeu. Surgiram grandes compositores madrigalistas ingleses que musicavam a poesia da época.

Música Barroca: A música barroca substituiu o estilo renascentista após o século XVII e dominou a música européia até cerca de 1750. Era elaborada e emocional, ideal para integrar-se a enredos dramáticos. A ópera era a mais importante novidade em forma musical, seguida de perto pelo oratório. A música italiana barroca atingiu o auge com as obras de Antônio Vivaldi.
O início do século XVIII foi marcado por dois grandes compositores: Bach e Haendel. A família de Bach era composta de músicos que atuaram do século XVI ao século XVIII. Dos 50 membros dessa família Johann Sebastian Bach foi o seu maior representante, deixando um legado de inúmeras e maravilhosas obras para a humanidade.
Nenhum estilo musical possui analogias tão nítidas com as artes plásticas como o Barroco. A música descobre a profusão de sons simultâneos como meio de alcançar o Belo. A linguagem tonal se firma como sustentáculo da polifonia. Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, fecunda, revolucionária e importante da música ocidental, e provavelmente, também a mais influente.
Durante o período barroco, a música instrumental passou a ter importância igual à da música vocal. A orquestra passou a tomar forma no século XVII. O aperfeiçoamento dos instrumentos de corda, principalmente os violinos, fez com que a seção de cordas se tornasse uma unidade independente. Os violinos passaram a ser o centro da orquestra, aos quais os compositores acrescentavam outros instrumentos: flautas, fagotes, trompas, trompetes e tímpanos. Um traço constante nas orquestras barrocas, porém, era a presença do cravo ou órgão como contínuo, fazendo o baixo e preenchendo a harmonia. Novas formas de composições foram criadas como a cantata, fuga, a sonata para teclado, a suíte e o concerto.

Impressionismo: Na passagem do século XIX para o século XX, surgiram na pintura artistas que fundaram a corrente impressionista: Monet, Degas, entre outros. Esses artistas queriam passar impressões pictóricas tais como achavam que eram sentidas. Na música não tardaram a surgir compositores que tentassem realizar obras de caráter análogo (parecido). Sem dúvida o mais importante deles foi Claude Debussy, francês.

Música no século XX: O século XX foi marcado por avanços constantes no meio eletrônico de comunicação, os quais interferem continuamente na concepção musical. Um outro fato que precisa ser levado em conta é que a civilização já estava bastante adiantada nos países chamados “Novo Mundo” e esses, ajudaram a mudar bastante o panorama da música ocidental. Em linhas gerais a música no século XX é marcada pela ruptura generalizada em relação à música européia, que imperou até esse momento. Certamente a Europa não perdeu sua importância, mas viu-se obrigada a dividir terreno com a música americana e, inclusive, assimilou dela muitos ingredientes importantes.
O século XX presenciou o desenvolvimento de quatro aspectos importantes na História da Música:
● O Nacionalismo tornou-se marcante na música espanhola. Os compositores soviéticos dominados pelo governo comunista criaram uma perspectiva oficialmente anti-romântica, conhecida como realismo soviético. Os mestres húngaros escreveram obras inspiradas em canções folclóricas, mas com um estilo pessoal.
● Novos compositores americanos começaram a expressar idéias de vanguarda de muita importância na música do século XX. A América Latina produziu compositores muito importantes como o mexicano Carlos Chávez e o brasileiro Heitor Villa Lobos.
● No início do século XX surgiu o Impressionismo, criado na França por Claude Debussy e mais tarde com Maurice Ravel. O compositor russo Igor Stravinsky foi um inovador por excelência, criando vários estilos musicais. Suas criações levaram-no do nacionalismo e neoclassicismo até as composições dodecafônicas. Os primeiros balés de Stravinsky, especialmente A Sagração da Primavera, foram logo aceitos como clássicos contemporâneos.
● Os músicos acreditavam que já haviam esgotado todos os recursos do sistema tônica-dominante e sentiam que a música precisava de uma estrutura harmônica nova. Muitas inovações foram feitas e despertaram uma reação violenta de protesto, tanto do público como de compositores conservadores e críticos de música. Fizeram experiências de atonalidade e de politonalidade (duas ou mais tonalidades ao mesmo tempo).
                                                          
Na década de 60 o nacionalismo deixou de representar uma força na música erudita. O mundo musical apresentava uma situação semelhante ao século XVII, quando estilos internacionais dominavam o cenário musical e compositores das mais diversas procedências e escolas podiam compartilhar os mesmos pontos de vista artísticos. Nos países comunistas, o realismo socialista ainda era o estilo oficial.
Vários compositores ocasionalmente omitiram o intérprete em favor da música eletrônica, que aumentou muito as possibilidades técnicas abertas ao compositor e à expressão musical.
John Cage foi uma figura importante na criação e desenvolvimento da música aleatória ou improvisada. Ao contrário da música eletrônica, a música aleatória depende principalmente do intérprete. O compositor propõe alguns elementos rítmicos, harmônicos e melódicos e o intérprete a partir daí, cria sua própria interpretação. Por este motivo não existem duas composições iguais de música aleatória.
Assim como existem várias definições para música, existem muitas divisões a agrupamentos da música em gêneros, estilos e formas. Dividir a música em gêneros é uma tentativa de classificar cada composição de acordo com critérios objetivos que não são sempre fáceis de definir.

Uma das divisões mais frequentes separa a música em grandes grupos:

    Música erudita - a música tradicionalmente dita como "culta" e no geral, mais elaborada. Seus adeptos consideram que é feita para durar muito tempo e resistir a modas e tendências. Em geral exige uma atitude contemplativa e uma audição concentrada. Alguns consideram que seja uma forma de música superior a todas as outras e que seja a real arte musical. No entanto esse pensamento é tipicamente ocidental, obsoleto e não leva em conta a imensa variedade de formas e funções da música nas mais diversas sociedades. Os gêneros eruditos são divididos sobretudo de acordo com o períodos em que foram compostas ou pelas características predominantes.

   Música popular - associada a movimentos culturais populares. É a música do dia a dia, tocada na festas, usada para dança e socialização. Segue tendências e modismos e muitas vezes é associada a valores puramente comerciais. É dividida em centenas de gêneros distintos, de acordo com a instrumentação, características musicais predominantes e o comportamento do grupo que a pratica ou ouve.

  Música folclórica ou tradicional - associada a fortes elementos culturais de cada sociedade. Normalmente são associadas a festas folclóricas ou rituais específicos. Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita ou a música das rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste gênero as cantigas de roda e de ninar.

● Música religiosa -  utilizada em liturgias, tais como missas e funerais. Também pode ser usada para adoração e oração ou em diversas festividades religiosas como o natal e a páscoa, entre outras. Cada religião possui formas específicas de música religiosa, tais como a música sacra católica, o gospel das igrejas evangélicas, a música judaica, os tambores do candomblé ou outros cultos africanos, o canto do muezim, no Islamismo entre outras.

Cada uma dessas divisões possui centenas de subdivisões. Gêneros, subgêneros e estilos são usados numa tentativa de classificar cada música. Em geral é possível estabelecer com um certo grau de acerto o gênero de cada peça musical, mas como a música não é um fenômeno estanque, cada músico é constantemente influenciado por outros gêneros. Isso faz com que subgêneros e fusões sejam criados a cada dia. Por isso devemos considerar a classificação musical como um método útil para o estudo e comercialização, mas sempre insuficiente para conter cada forma específica de produção. A divisão em gêneros também é contestada assim como as definições de música porque cada composição ou execução pode se enquadrar em mais de um gênero ou estilo e muitos consideram que esta é uma forma artificial de classificação que não respeita a diversidade da música. Ainda assim, a classificação em gêneros procura agrupar a música de acordo com características em comum. Quando estas características se misturam, subgêneros ou estilos de fusão são utilizados em um processo interminável. Os estilos musicais ao entrar em contato entre si produzem novos estilos e as culturas se misturam para produzir gêneros transnacionais.

BENNETT, Roy. Uma breve história da música. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.
COLL, César, TEBEROSKY, Ana. Aprendendo Arte. São Paulo: Ática, 2000.

3ª Série - Slides sobre Arte Grega - 1ª Unidade - 2019




















3ª Série - ARTE GREGA - 1ª Unidade - 2019


Por volta do século XX a.C. no sul da península dos Bálcãs, se estabelecia um povo que daria início à história grega. Entre os gregos, a escravidão tornou-se dominante, e um grande pensador afirmou que sem ela não haveria o Estado grego, nem arte nem ciência.
Os gregos se destacaram nos mais diversos campos culturais. Na escultura, nas estátuas demonstram harmonia, ritmo, movimento e proporção. Em termos de arquitetura, destacam-se os grandiosos templos que foram construídos para os deuses.
Os gregos não se submeteram aos dogmas religiosos. Para eles o conhecimento vinha através da razão e não da fé. A arte grega é idealista e não realista. O ideal de beleza é o homem.
Os gregos antigos se destacaram muito no mundo das artes. As esculturas, pinturas e obras de arquitetura impressionam, até os dias de hoje, pela beleza e perfeição. Os artistas gregos buscavam representar, através das artes, cenas do cotidiano grego, acontecimentos históricos e, principalmente, temas religiosos e mitológicos. 
A pintura grega também foi muito importante nas artes da Grécia Antiga. Os pintores gregos representavam cenas cotidianas, batalhas, religião, mitologias e outros aspectos da cultura grega. Os vasos, geralmente de cor preta, eram muito utilizados neste tipo de representação artística. Estes artistas também pintavam em paredes, principalmente de templos e palácios. 
A história da civilização grega pode ser dividida em:
       Período Minóico ( 3.000 1.600 a. C.);
       Período Micênico (1.600 1.100 a. C.);
       Período Geométrico (1.100 700 a.C.);
       Período Arcaico (700 500 a.C.);
       Período Clássico (500 300 a.C.);
       Período Helenístico (300 a.C. até a Cultura Romana).

PERÍODO MINÓICO
A civilização minoica surge no Mar Egeu, ocupando, principalmente, a Ilha de Creta. Existe uma teoria que diz que possivelmente esta civilização teria sido àquela de Atlântida (que afundou no mar como conta a mitologia grega). Os minoicos não tinham preocupação com a guerra, suas cidades não eram muradas.
O Palácio de Cnosso é o principal exemplo de arte minoica. Nele já existiam encanamentos de água quente e fria. As pinturas são alegres e preocupadas em demonstrar a vida cotidiana. Foram utilizadas cores vivas como: vermelho, amarelo, verde, azul, branco e marrom.

 PERÍODO MICÊNICO
Os micênicos se instalaram na região que primeiramente era ocupada pelos minoicos. O povo micênico era guerreiro e tinha as cidades muradas. É um dos povos que darão origem (juntamente com os áqueos, eólios e jônicos) à civilização grega propriamente dita.
Caracterizou-se principalmente pelo desenvolvimento da arquitetura, tendo como modelo o megaron micênico (sala central do palácio de Micenas); O palácio divide-se em três áreas simples: um pórtico com duas colunas leva à antecâmara que antecede a grande sala de audiências, retangular e com quatro colunas a envolver uma lareira central circular; ao redor dos palácios, no interior da cidadela, e também do lado de fora, junto às muralhas, haviam várias casas de planta retangular e diversos cômodos, um deles habitualmente com lareira. As paredes eram de tijolo seco ao Sol, barro comprimido reforçado com cascalho, vigas de madeira, ou uma combinação disso; as fundações eram de pedra, ou de simples cascalho misturado com barro. O telhado era provavelmente plano, composto de uma estrutura de madeira recoberta de reboco ou terra - casas dos cidadãos mais ricos e influentes da sociedade micênica; os mais pobres viviam em cabanas de um ou dois cômodos situadas fora das muralhas. As paredes eram de tijolos secos ao sol ou de madeira, o chão era de terra batida e o telhado, plano, era em geral recoberto de palha;
- Desenvolveu-se ainda o artesanato em cerâmica, decorados com cenas do quotidiano e motivos florais e animais;

PERÍODO GEOMÉTRICO

Esta fase dura aproximadamente 400 anos. A cultura deste período é desestruturada, portanto a arte não era consolidada. O material artístico desta época é muito escasso, exceto por alguns templos primitivos. Não sobreviveram pinturas nas paredes, nem esculturas em larga escala. Os poucos achados são de pequenas estátuas, principalmente de bronze, reverenciando algum deus no templo ou enfeitando túmulos.
O Período Geométrico ficou conhecido, artisticamente, por seus potes e vasos com pinturas de figuras geométricas, representando a pobreza cultural dos dórios.
Gradativamente, a arte grega deixou de retratar apenas figuras geométricas e começou a exibir animais. A partir do século VIII A.C., houve uma ascensão do estilo humanista na arte, que passou a mostrar humanos, como dançarinos, corredores em bigas, cenas de batalhas e homens ou mulheres lamentando-se em frente a um túmulo, rituais religiosos, mas também cenas de coleta, de dança, de atletismo, de casamentos e outras atividades diárias. Muitas vezes os ceramistas e pintores de vasos eram a mesma pessoa.

PINTURA DO PERÍODO GEOMÉTRICO: Surge como elemento de decoração da arquitetura. Ela também aparece nos vasos cerâmicos, conhecidos pelo equilíbrio entre forma e desenho, cor e espaço.

Os ceramistas e pintores de vasos atuavam de forma mais humilde do que os escultores e arquitetos gregos, que em geral, trabalhavam sob encomenda e usavam materiais caros. Há indícios de que as oficinas de cerâmica eram formadas por enormes famílias e, frequentemente, as cenas representadas eram relativas a preocupações do cotidiano.
Os vasos gregos são conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para ornamentação.
Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite, mel, perfume, mantimento e até como urna funerária. Mas na medida em que passaram a revelar uma forma equilibrada e um trabalho de pintura harmoniosa, tornou-se também objetos artísticos. Inicialmente o artista pintava, em negro, a silhueta das figuras. A seguir, gravava o contorno e as marcas interiores dos corpos com um instrumento pontiagudo, que retirava a tinta preta, deixando linhas nítidas.

Figura negra: No final do século VIII a.C., a cidade de Coríntio testemunhou a invenção de uma técnica de pintura em vasos conhecida como figura negra. Nela a silhueta usada no período geométrico foi avivada pela incisão de uma tinta vermelha e branca.
Figura vermelha: Por volta do ano de 525 a.C., um grupo de ceramistas atenienses inventou uma técnica da figura vermelha, com a qual as figuras são desenhadas em linhas gerais, os detalhes interiores acrescentados em linhas de espessura variada e o fundo feito em tinta preta.
Na mesma época a gravação foi substituída pelo pincel, o que permitiu maior sutileza na pintura e exploração da figura humana. A partir dessa época, Atenas passou a dominar a produção de cerâmica decorada e qualidade de suas obras só fez aumentar. Exemplos de cerâmicas:
Ânfora: vasilha em forma de coração, com gargalo longo com duas asas, tem como características a ornamentação geométrica e figuras estilizadas.
Hidra: era utilizada para recolher a água das fontes e caracterizava-se por três asas, uma na vertical para segurar enquanto corria água e duas para levantar.
Cratera: tem a boca em forma de cratera, muito larga, com o corpo em forma de sino invertido e serve para misturar água com vinho. Os primeiros exemplares desses vasos tinham uma decoração geométrica. Em seguida foram utilizadas figuras humanas e de animais estilizados. 

ARQUITETURA DO PERÍODO GEOMÉTRICO: Entre os anos 900 e 725 a.C., as casas são de plano irregular e os templos têm planta ora longa e estreita, ora quase quadrada, com uma coluna central (ou fila central de colunas) como arrimo. Os materiais de construção preferidos eram o tijolo cru e a madeira, com alguma utilização da pedra.

 PERÍODO ARCAÍCO E CLÁSSICO
As duas principais cidades gregas foram Atenas (berço da arte e democracia) e Esparta (cidade dos guerreiros). As cidades gregas eram divididas em três partes:
       Acrópole: centro da vida religiosa e geralmente o ponto mais alto da região;
       Ágora: centro da vida civil, política e comercial;
       Astu: parte mais baixa da cidade, onde moravam os artesãos, comerciantes e povo.
Os gregos não se submetiam aos dogmas religiosos. Para eles o conhecimento vinha da razão e não da fé. A arte grega é idealista e não realista. O ideal de beleza é o homem.

PERÍODO ARCAÍCO
Chama-se de arcaico o período em que os gregos começaram a desenvolver técnicas sob a influência e contato com as ideias das civilizações mais antigas do Egito e do Oriente.

ESCULTURA DO PERÍODO ARCAICO
Nas obras do período arcaico nota-se a influência do Egito não só como fonte inspiradora, mas também na técnica. Durante esse período, o escultor grego apreciava a simetria natural do corpo humano. Desenvolveram a representação da figura humana, tornando-a mais realista. Iniciou-se a preocupação com os detalhes do corpo e das vestimentas. Começaram a esculpir grandes figuras de homens em mármore, embora existam algumas feitas de outros materiais como vários tipos de pedras, madeira talhada e terracota. Esse tipo de estátua era baseado nas esculturas egípcias. Assim, surgem as estátuas chamadas de Kouros (que significa “homem jovem”). São figuras masculinas nuas, eretas, em rigorosa posição frontal e peso do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas, com uma perna adiantada em relação à outra, os braços colados ao corpo, os punhos fechados com força e o olhar para frente, e a presença do característico sorriso arcaico, que não se apaga mesmo quando está ferido ou faz esforço, como é o caso do Moscóforo de Atenas. As Korés (que significa “mulher jovem”) são as figuras femininas. Os vestidos das mulheres, muito sutis, moldam-se nos corpos como se fossem panos molhados, mostrando por baixo da anatomia.
Além dessas estátuas também dedicaram muitas obras a animais como leões, cães, cavalos e imaginários centauros, esfinges e monstros, com os quais narravam aventuras dos heróis e deuses.

 PERÍODO CLÁSSICO:
As principais características da arte deste período são: harmonia, equilíbrio e proporção.

ESCULTURA DO PERÍODO CLÁSSICO:
No período clássico passou-se a procurar movimento nas estátuas. Para atingir tal objetivo, começou a usar o bronze, que era mais resistente do que o mármore podendo fixar o movimento sem se quebrar. O grego não se interessa por copiar a realidade e fixa-se na beleza ideal, seguindo proporções perfeitamente calculadas, de um modo geral, baseadas nas dimensões de pé, que dão as mesmas da cabeça. Contudo, o grego conduziu rapidamente a escultura a uma mudança radical na transição da arte Arcaica para o Clássico. As figuras imóveis dos jovens (Kouros) começaram adotar-se de movimento. Começa a evolução da ruptura da frontalidade para a conquista das três dimensões e movimento. A anatomia reflete uma maior naturalidade e o sorriso arcaico desaparece.
Características:
       Naturalismo ou representação fiel da natureza e do corpo humano;
       Ideia de movimento (quer do corpo, quer das roupas);
       Perfeição na representação do corpo humano;
       Serenidade, pois as figuras não revelam qualquer sentimento na sua expressão;
       Harmonia, pois existe proporção entre as várias partes do corpo.

 PINTURA DO PERÍODO CLÁSSICO
Nenhum trabalho restou dos grandes pintores de vasos do Período Clássico, mas sabe-se que nessa época a pintura aperfeiçoou a utilização de perspectiva, sombras e anatomia.

ARQUITETURA DO PERÍODO CLÁSSICO:
Um dos símbolos de maior sucesso artístico da Grécia é a sua requintada arquitetura, principalmente as elegantes colunas de pedra e os frontões triangulares, esculpidos em três “estilos” de arquitetura desenvolvida por eles entre 600 a.C. e 300 a.C., caracteriza-se por um senso absoluto de organicidade e equilíbrio, subordinando-se suas proporções à ordem matemática. A arquitetura grega foi muito mais, do que belos edifícios é leve, harmoniosa e funcional. No início da construção dos templos, os materiais utilizados pelos gregos eram o adobe (para as paredes) e a madeira (para as colunas). A partir do século VII a.C., no entanto, eles caíram em desuso e foram substituídos pela pedra e pelo mármore. A inovação permitiu que fosse acrescentada uma nova fileira de colunas na parte exterior da construção, fazendo com que o templo ganhasse um caráter monumental. Surgiram então os primeiros estilos arquitetônicos. 
Na Acrópole e em Ágora os templos e edifícios foram erguidos em mármore polido. Porém as casas das ruas, sujas e tortuosas, eram principalmente construídas de adobes secadas ao sol.
Não havia residências suntuosas. Mesmo um grande general vivia numa casa simples, igual à de um de seus vizinhos. Só as casa grandes tinham pavimento de pedra, as outras eram construídas a partir de terra batida e as paredes de abobe.
Os templos eram muito vulneráveis ao fogo, porque a madeira era amplamente empregada na arquitetura grega, para a construção do teto e das colunas. Além disso, o azeite armazenado nos templos e em outras construções era inflamável e podia ser perigoso quando usado em lamparinas.
No mundo grego, só estilos eram identificados de acordo com as ordens arquitetônicas que regulamentavam toda a obra dos artistas. Estes estilos distinguem-se especialmente nas colunas dos templos, teatros, estádios, ginásios e pórticos (pátios). Os gregos se preocupavam ainda com a simetria, a escala, a proporcionalidade e a harmonia.
A arquitetura deste período estava muito ligada a vida religiosa. Construíam-se teatros em honra de Dionísio e estádios em homenagens aos deuses como Zeus ( Santuário de Olímpia) e Apolo no (Santuário de Delfos).
A arquitetura apresenta ainda as seguintes características: Predomínio da horizontal sobre a vertical, planta regular, colunatas rodeando os edifícios, frontão triangular e a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era construído sobre uma base de três degraus.  O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as colunas. As colunas sustentavam um entablamento horizontal formado por três partes: a arquitrave, o friso e a cornija.
Arquitrave: Viga de sustentação que, em suas extremidades, se apoia em colunas. É uma trave horizontal que serve de apoio as colunas, cuja origem remonta à arquitetura clássica, mas que continuou presente em quase todos os estilos dela derivados. Sobre a arquitrave assenta o friso, um elemento também horizontal, mas com decoração geralmente em relevo.
Cornija: é o ornato que se assenta sobre o friso de uma obra arquitetônica. É uma espécie de moldura.
Friso: é a parte do entablamento, que repousa sobre os capitéis das colunas e fica entre a cornija e a arquitrave.
Partes da coluna:
Capitel: é o remate da coluna, a parte superior da pilastra ou balaústre geralmente esculturada.
Fuste: é a parte principal da coluna. Fica entre o capitel e a base.
Base: é tudo o que serve de apoio, a parte inferior da coluna.
A palavra entablamento refere-se ao conjunto formado por arquitrave, friso e cornija.
Em algumas colunas aparece o acrotério, um pedestal sem base que suporta vasos, figuras ou outros ornamentos. As colunas e o entablamento eram construídos segundo os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia.

Ordem Dórica: Foi a primeira, a mais simples e a mais importante das ordens arquitetônicas é considerada a ordem masculina. Surgiu antes dos outros por uma razão muito óbvia: o dórico foi um dos primeiros povos que dominaram a Grécia. Apresentava as seguintes características: o fuste da coluna era monolítico e grosso. A arquitrave era lisa e sobre ela ficava um friso que era dividido em tríglifos (retângulos com sulcos verticais) e métopas (retângulos que podiam ser lisos, pintados ou esculpidos em relevo). O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel era uma almofada de pedra. As grossas colunas que lhe davam sustentação não dispunham de base, o fuste tinha a forma acanelada. O capitel, muito simples. A mais notável característica dessas construções é a curvatura das linhas, que dão aparência de retas, mas na realidade, apresentam uma pequena curvatura para eliminar a impressão de divergências das numerosas colunas.
Templos dóricos: Poseidon e o de Hera em Paestum na Itália e os Selinunte, na Sicília.

Ordem Jônica: Representava a graça e o feminino tem antecedentes na arquitetura dos assírios e de outros povos da Ásia Menor. Ela espalhou-se no século V a.C., por outras cidades-estados gregas e pelas colônias. É leve, elegante, esbelta, cheia de classe e refinamento e era mais ornamentada. A coluna apresentava o fuste mais delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata, mas sobre uma base decorada. O capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas é parecido com o tipo de penteado feminino em moda na época, existindo também certa semelhança entre a linha da coluna jônica e um traje de mulher.  O friso era dividido em partes ou decorado por uma faixa esculpida em relevo. A cornija era mais ornamentada e podia apresentar trabalhos de escultura. O mais belo templo jônico é o Eractéion de Atenas, erguido em honra de um lendário herói chamado Erecteu.

Ordem Coríntia: Apareceu no século IV a.C., e se caracterizou, sobretudo pela forma do capitel. Que era formado com folhas de acanto (planta espinhosa muito decorativa, originária da Grécia e da Itália) e quatro espirais simétricas, muito usado no lugar do capitel jônico, de um a variar e enriquecer aquela ordem. Sugere luxo e ostentação.
O maior exemplar e mais significativo da arquitetura coríntia é o templo de Olympeion em Atenas, que começou a ser construído no ano de 170 a.C., e só ficou pronto muito tempo depois. 
ARQUITETURA DO PERÍODO HELENÍSTICO
Em 400 a.C. surgiu uma nova e mais elaborada versão da arquitetura jônica: o estilo coríntio. Os templos são o maior destaque da arquitetura deste período. Eles foram criados para o culto aos deuses. As casas, até o período Helenístico, tinham pouca importância, pois o grego se preocupava com o coletivo.
Nos teatros, acontece uma modificação na planta do edifício. O coro passa para segundo plano. É dada maior importância para os artistas, assim o palco dobra de tamanho.
As casas passam a ter maior importância, pois o grego passa a pensar menos no coletivo. São inseridas colunas, peristilo e pátio central no desenho da casa.
Principais escultores: Miron ( que se preocupou em representar o movimento e as justas proporções do corpo humano. O Discóbolo).  Fídias ( autor de Zeus Olimpo, sua obra prima e Ateneia), Policreto (cabeça do Doríforo) e Praxíteles.

PINTURA DO PERÍODO HELENISTÍCO
Parte da pintura grega do período Helenístico sobreviveu até os dias atuais, mas a maior parte do que se sabe atualmente sobre o período vem de cópias feitas pelo Império Romano e achadas em Roma e Pompéia. Foram encontrados também vários mosaicos. A produção de mosaicos já se havia iniciado no período Clássico, mas atingiu seu apogeu no Período Helenístico, principalmente na cidade de Delos.

ESCULTURA DO PERÍODO HELENÍSTICO
Neste período as obras se diversificaram bastante, devido a uma mudança de cultura. Os macedônios invadiram a Grécia e aconteceu uma fusão de gostos. A arte se tornou mais expressiva e teatral. A escultura alcançou o seu ponto máximo de desenvolvimento, na expressão e na variedade de temas representados. Podemos observar o crescente naturalismo, os seres humanos não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas também segundo as emoções e o estado de espírito de um momento. Com a mudança das figuras contorcendo-se em todas as direções, completou-se a conquista da terceira dimensão, dando lugar aos grupos de esculturas com formas piramidais e com os corpos, braços e pernas entrelaçadas formando um verdadeiro emaranhado humano. A isso se juntou um crescente interesse pelas expressões do rosto, tal como acontecem na realidade e que até então se tinham idealizado. As expressões de dor, ausência e preocupação refletem-se nos corpos, chegando a exagerar a gesticulação das personagens. A anatomia dos corpos aproxima-se da realidade excessivamente fiel em alguns casos.
Os temas também sofreram transformações: as antiquadas figuras dos deuses e heróis juntaram-se agora a novos motivos como sátiros e centauros. Ex.: um rapaz a tirar uma espinha da pele, a velha embriagada, o pescador, etc. Surge também o nu feminino, pois, no período arcaico, as figuras de mulher eram sempre vestidas.
A escultura apresenta traços bem característicos:
  Crescente naturalismo, seres humanos representados de acordo com a idade, personalidade e estado de espírito;
     Representação sob a forma humana de sentimentos com paz, amor, liberdade, vitória, etc.
Glossário
Peristilo: galeria de colunas isoladas, em torno de um edifício ou de um pátio.
Arrimo: muro de sustentação.
Monolítico: formado por uma só pedra.
Peristilo: galeria de colunas isoladas, em torno de um edifício ou de um pátio.
Pórtico: é local coberto à entrada de um edifício de um templo ou de um palácio.

Referências bibliográficas:
PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Ática. 2000.
CALABRIA, Carla Paula B. MARTINS, Raquel Valle. Arte, História e Produção. Vol 2. FTD.
Revista: Grécia Terra dos Deuses. São Paulo: Escala. 2003.
VIEIRA, Cristina. Grécia: Arquitetura. Vol 4. São Paulo: Escala.