"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." (Auguste Rodin)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

1ª Série: A HISTÓRIA DO TEATRO - 3ª Unidade 2018


A palavra teatro define tanto o prédio onde podem se apresentar várias formas de artes quanto uma determinada forma de arte.
O vocábulo grego Théatron estabelece o lugar físico do espectador, "lugar onde se vai para ver". Entretanto o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente à audiência, complemento real e imaginário que acontece no local de representação. Ele surgiu na Grécia antiga, no século IV a.C..
O teatro é uma arte em que um ator, ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades, com auxílio de dramaturgos, diretores e técnicos, que têm como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos na audiência.
O Teatro na Grécia: A consolidação do teatro enquanto espetáculo, na Grécia antiga, deu-se em função das manifestações em homenagem ao deus do vinho, Dionísio. A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao deus, através de procissões.
Com o passar do tempo, essas procissões, que eram conhecidas como "Ditirambos", foram ficando cada vez mais elaboradas, e surgiram os "diretores de coro" (os organizadores das procissões).
Nas procissões, os participantes se embriagavam, cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das peripécias de Dionísio. Em procissões urbanas, se reuniam aproximadamente vinte mil pessoas, enquanto que em procissões de localidades rurais (procissões campestres), as festas eram menores.
O primeiro diretor de coro foi Téspis, que foi convidado pelo tirano Préstato para dirigir a procissão de Atenas. Téspis desenvolveu o uso de máscaras para representar pois, em razão do grande número de participantes, era impossível todos escutarem os relatos, porém podiam visualizar o sentimento da cena pelas máscaras.
O "Coro" era composto pelos narradores da história que, através de representação, canções e danças, relatavam as histórias da personagem. Ele era o intermediário entre o ator e a platéia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de trazer também a conclusão da peça. Também podia haver o "Corifeu", que era um representante do coro que se comunicava com a platéia.
Em uma dessas procissões, Téspis inovou ao subir em um "tablado" (Thymele – altar), para responder ao coro, e assim, tornou-se o primeiro respondedor de coro (hypócrites). Em razão disso, surgiram os diálogos e Térpis tornou-se o primeiro ator grego.

Autores Gregos
1) Os tragediógrafos
Muitas das tragédias escritas se perderam e, na atualidade, são três os tragediográfos conhecidos e considerados importantes: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.

Ésquilo (525 a 456 a.C.. aproximadamente)
Principal texto: Prometeu acorrentado.
Tema principal que tratava: contava fatos sobre os deuses e os mitos.
Sófocles (496 a 406 a.C. aproximadamente)
Principal texto: Édipo Rei.
Tema principal que tratava: as grandes figuras reais.
Eurípides (484 a 406 a.C aproximadamente)
Principal texto: As troianas
Tema principal que tratava: dos renegados, dos vencidos (pai do drama ocidental)

2) Os comediógrafos
Dramaturgo grego considerado o maior representante da comédia grega clássica.

O Teatro no Brasil (adaptação de texto de Sábato Malgadi)
A implantação do teatro no Brasil foi obra dos jesuítas, empenhados em catequizar os índios para o catolicismo e coibir os hábitos condenáveis dos colonizadores portugueses. O padre José de Anchieta, em quase uma dezena de autos inspirados na dramaturgia religiosa medieval e também Gil Vicente, notabilizaram-se nessa tarefa, de preocupação mais religiosa do que artística.
O teatro dessa época era uma produção sem continuidade e permaneceu sem registro nos séculos XVII e XVIII, salvo alguns documentos esparsos. Sabe-se, de qualquer forma, que se ergueram "casas da ópera" nesse último século, no Rio, em Vila Rica, Diamantina, Recife, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, atestando a existência de uma atividade cênica regular. A sala de espetáculos de Vila Rica (atual Ouro Preto) é considerada a mais antiga da América do Sul. Menciona-se o Padre Ventura como o primeiro brasileiro a dedicar-se ao palco, no Rio, e seu elenco era de mulatos.
A transferência da corte portuguesa para o Rio, em 1808, trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822, a que se ligou logo depois o romantismo, de cunho nacionalista. O ator João Caetano formou, em 1833, uma companhia brasileira, com o propósito de "acabar assim com a dependência de atores estrangeiros para o nosso teatro". Seu nome vinculou-se a dois acontecimentos fundamentais da história dramatúrgica nacional: a estréia, a 13 de março de 1838, de O Poeta e a Inquisição, "a primeira tragédia escrita por um brasileiro, e única de assunto nacional", de autoria de Gonçalves de Magalhães e, a 4 de outubro daquele ano, de O Juiz de Paz na Roça, em que Martins Pena abriu o rico filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da nossa tradição cênica.
Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias, distingue-se como o melhor drama romântico brasileiro, cuja trama caracteriza-se como precursora do manifesto feminista. E a comédia de costumes marcou as escolas sucessivas, do romantismo e até do simbolismo, passando pelo realismo e pelo naturalismo. Filiaram-se a ela as peças mais expressivas de Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar, Machado de Assis e Artur Azevedo (criador de A Capital Federal e O Mambembe).
A Semana de Arte Moderna de 1922, marco da modernidade artística, não teve a presença do teatro. Só na década seguinte Oswald de Andrade, um de seus líderes, publicou três peças, entre as quais O Rei da Vela, que se tornou em 1967 o manifesto do tropicalismo. Naqueles anos, registrava-se a hegemonia do astro, representado por Leopoldo Fróes e depois por Procópio Ferreira. Só em 1943, com a estréia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinski, modernizou-se o palco brasileiro. Mas a qualidade do texto ainda não trouxe importância para o papel de autor teatral: o encenador ou diretor é que passou nessa época a ser valorizado.
Começava, na montagem do grupo amador carioca de Os Comediantes, a preocupação com a unidade de estilo do espetáculo, continuada a partir de 1948, pelo paulista Teatro Brasileiro de Comédia, que contratou diversos diretores estrangeiros para suas montagens. O ecletismo de repertório dos grupos de teatro da época provocou, a partir do êxito de Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, uma guinada no teatro brasileiro, inaugurando finalmente a fase da hegemonia do autor brasileiro.
Veio, em 1964, o golpe militar, e ocorreu uma forte censura ao teatro nacional. Afirmou-se então um teatro de resistência à ditadura, desde os grupos mais engajados, como o Arena e o Oficina de São Paulo e o Opinião, do Rio, aos dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho e Plínio Marcos. Autores adeptos do estilo da comédia, a exemplo de Millôr Fernandes, Lauro César Muniz e Mário Prata, seguiram a mesma trilha. Número enorme de peças, até hoje não registrado, foi censurada nessa época e não pode ser encenada.
Com a estréia de Macunaíma, de Mário de Andrade, em 1978, Antunes Filho assumiu a criação radical do espetáculo, inaugurando a hegemonia dos encenadores-criadores. Nessa tendência aconteceram grandes acertos, como por exemplo, a autonomia artística do espetáculo, e desacertos, como a redução da palavra a um jogo de imagens.

O Teatro de Arena de São Paulo
A principal característica do Teatro de Arena, fundado em São Paulo em 1953, tendo à frente José Renato - vindo, como outros, da Escola de Arte Dramática -, foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estréia de Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.
No início, o grupo, que foi o primeiro na América do Sul a utilizar a cena circular envolvida pelo público, visava sobretudo à economia do espetáculo, adotando as mesmas idéias estéticas do Teatro Brasileiro de Comédia, com o ecletismo (variedade) de repertório. Sem a necessidade de cenários, atuando em locais improvisados, o grupo podia abolir muitas despesas.
Mesmo assim, tendo inaugurado em 1955 a sua sede, o Arena, em difícil situação financeira, preferiu fechar as portas com uma peça de um de seus atores, originário do Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para formar-se o Elenco Estável: Gianfrancesco Guarnieri. Eles não usam Black-tie não só se constituiu um grande sucesso de mais de um ano em cartaz, como iniciou a linha de prestígio da dramaturgia brasileira.
O Arena, com a colaboração de Augusto Boal, empenhou-se também na procura de um estilo brasileiro de encenação e de desempenho. A seguir, promoveu a nacionalização dos clássicos. Veio depois a fase dos musicais, expressa por Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, de Guarnieri e Boal. Depois foi o momento de abrasileirar-se o teatro épico de Brecht.
A repressão violenta da ditadura, principalmente com o Ato Institucional nº 5, de 1968, ainda permitiu a Augusto Boal fazer a experiência do Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas formas do Teatro Invisível e do Teatro-Foro. Mas, seu exílio em 1971, já estando afastadas outras pessoas do grupo, interrompeu a grande trajetória do Teatro de Arena.

Teatro Brasileiro de Comédia
Criado em São Paulo, em 1948, pelo industrial italiano Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Comédia era, inicialmente, apenas um espaço para abrigar os grupos amadores. Ao verificar-se a inviabilidade econômica da iniciativa, nesse esquema, organizou-se uma companhia profissional, que aproveitou os melhores atores desses grupos, aos quais se agregaram outros, vindos do Rio.
Em pouco tempo o TBC chegou a ter o melhor elenco jovem do País, em que se distinguiam Cacilda Becker, Tônia Carrero, Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Nathalia Timberg, Tereza Rachel, Paulo Autran, Sérgio Cardoso, Jardel Filho, Walmor Chagas, Ítalo Rossi e muitos outros. A encenação estava confiada a europeus e, em certos momentos, até quatro deles se alternavam nas montagens.
A necessidade do momento era a implantação de um teatro de equipe, em que todos os papéis recebiam o mesmo tratamento, e se valorizavam igualmente a cenografia, o figurino e a política de variedade de repertório, revezando-se em cartaz peças de diversos autores como Sófocles, Goldoni, Strindberg, Shaw, Pirandello, Tennessee Williams, Arthur Miller, entre muitos outros.
Na última fase, o TBC alterou suas diretrizes, confiando as encenações aos brasileiros Flávio Rangel e Antunes Filho, além do belga Maurice Vaneau, e o repertório privilegiou os dramaturgos nacionais Dias Gomes, Jorge Andrade e Giafrancesco Guarnieri.

Teatro Oficina
Criado em 1958 por um grupo de estudantes da Escola de Direito, em São Paulo, o Teatro Oficina distinguiu-se por ter absorvido, na década de 60, toda a experiência cênica internacional, vinda de fins do século passado até aqueles dias, dando-lhe características totalmente brasileiras.
A primeira grande realização do elenco, em 1963, foi Pequenos Burgueses, de Górki, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, responsável por todas as montagens subseqüentes de maior qualidade. A crítica reconheceu nela o melhor exemplo de encenação realista produzida no Brasil.
A estréia de O Rei da Vela, em 1967, teve o mérito de incorporar Oswald de Andrade, com um texto publicado em 1937, à História do Teatro Brasileiro, e de fazer parte de um movimento batizado como tropicalismo, de repercussão em outras artes.
Incansável na sua busca, o Oficina pretendeu romper as fronteiras convencionais do teatro, fazendo "te-ato" em Gracias, Senior, criação coletiva de seus atuadores, não mais intérpretes, em 1972. Com características do Living Theatre norte-americano, a montagem foi discutida em virtude de posturas autoritárias que parecia conter. A rigidez da censura política, os problemas internos do grupo e o exílio de José Celso puseram fim à aventura brilhante do Oficina. Entretanto, ainda hoje José Celso representa um ícone de resistência na luta pela sobrevivência de um teatro crítico-experimental brasileiro.

Fontes:
Wikipédia;
FEIST, Hildegard. Pequena viagem pelo mundo da arte. Moderna. 2.ed.São Paulo, 2005
_____________. Pequena viagem pelo mundo do teatro. 1ed. Moderna. São Paulo, 2005.


ATIVIDADE


1)      Defina com suas palavras o conceito de TEATRO (o que é).
2)      Explique como que aconteceu a origem do teatro na antiguidade.
3)      Cite os principais tragediógrafos gregos e suas principais obras.
4)      Como começou o teatro no Brasil?
5)      Explique o que fazia o regime militar em relação às peças teatrais daquela época.
6)      Qual a principal peça produzida pelo Teatro de Arena e quanto tempo ficou em cartaz?

7)      Cite as principais contribuições do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e do Teatro Oficina para o desenvolvimento do teatro brasileiro.

1ª Série: UM OLHAR SOBRE O TEATRO - 3ª Unidade - 2018


Quando lê um romance você viaja pelo mundo do autor: imagina aquelas pessoas que ele descreve, as paisagens, os ambientes. Já quando assiste a uma peça teatral, você não precisa imaginar nada. As personagens e os cenários estão materializados no palco, diante de seus olhos.
Como na literatura, o texto é essencial no teatro, mesmo que os atores não abram a boca (nesse caso eles estariam representando com gestos uma história que teve de ser escrita por alguém).
Mas, ao contrário do que acontece com a literatura, no teatro o texto não é tudo. Você pode muito bem ler um livro, sozinho num canto, e imaginar à vontade. Também pode ler uma peça, sozinho do mesmo jeito, porém esta leitura solitária vai lhe dar apenas uma vaga idéia do que você veria no teatro. Porque uma peça só se realiza, só ganha vida, quando chega ao palco.
Quando escreve para o teatro o autor já está pensando em todas as pessoas que serão necessárias para dar vida a seu texto. Seu trabalho de criação não termina no final da história, como num caso de um romance. O autor de um romance precisa de um editor para publicá-lo, de um livreiro para vendê-lo e de um leitor para lê-lo, porém o que ele apresenta é uma obra acabada.
O autor teatral, também chamado dramaturgo, precisa de muito mais gente; na verdade precisa de todo um batalhão de profissionais para mostrar o que escreveu. São atores, diretor, produtor, cenógrafo, coreógrafo, figurinista, iluminador, sonoplasta, contra-regra... Sem falar no público. Mas... vamos por partes.
O enredo e o tema das produções teatrais, em geral, tratam de assuntos e fatos que podem alegrar ou entristecer o público de acordo com o gênero que o autor utiliza para criar suas histórias.
A grande capacidade de transformar-se em um personagem criado pelo escritor faz com que o ator adquira, com o tempo, iniciativas pessoais para interpretar diversos personagens.
Atores e atrizes, no palco, representam personagens que oferecem informações sobre as diferentes manifestações da história da humanidade. No teatro, ator e espectador tornam-se cúmplices, compartilham idéias e tornam real o mundo imaginário.
Entretanto, seja qual for o gênero, a época ou o local, para que exista o teatro é necessário o envolvimento de todos estes profissionais acima citados. Embora nosso objetivo não seja tratar da teoria teatral ou da formação de atores, é importante saber que muitos profissionais trabalham cuidadosamente em cada detalhe da peça apresentada.

Os passos do processo
Depois de escrever uma peça, o dramaturgo a leva para uma pessoa ligada ao teatro, geralmente um ator de prestígio ou um diretor. Essa pessoa lê o texto. Se não gostar, devolve-o, e o autor terá de procurar outros interessados. Se gostar, vai tratar de montá-lo, ou seja, de encená-lo para uma platéia, de preferência lotada e empolgada.
Suponhamos que essa pessoa é o diretor. Ao ler a peça, ele já fica pensando “Puxa, Fulano vai ficar genial nesse papel! E  esse personagem aqui é ideal para Beltrana”. O diretor procura os atores que gostaria de ver naqueles papéis e entrega uma cópia do texto para cada um.
Digamos que tudo corre às mil maravilhas. Os atores adoram a obra, identificam-se com suas personagens e no momento não têm nenhum compromisso que os impeça de participar do projeto.
Agora precisam de um produtor, de alguém que banque o espetáculo, quer dizer, que forneça o dinheiro para pagar despesas como a aquisição do material que será usado em cena, o aluguel do teatro, a contratação dos profissionais indispensáveis à montagem, a compra de espaço para publicidade nos jornais, revistas e TV, a confecção dos programas, a filmagem para registro e divulgação... e tantas outras coisas.
Mais uma vez dá tudo certo, e o trabalho pode começar. Primeiro se faz uma leitura dramática: o diretor se reúne com o elenco em torno de uma mesa, e cada ator lê sua parte, já representando com a voz. O diretor acompanha a leitura atentamente, intervindo sempre que acha necessário para corrigir alguma fala. Encerrada a leitura dramática, iniciam-se os ensaios, com os atores mergulhando de corpo e alma na interpretação de seus personagens. O diretor tem a visão geral do espetáculo e, para conseguir o resultado que deseja, participa ativamente dos ensaios, representando de vez em quando para mostrar a cada integrante do elenco como deve atuar neste ou naquele momento. Alguns diretores simplesmente impõem sua opinião, porém a maioria conversa muito com os atores, explica-lhes o que tem em mente, escuta o que eles acham e todos chegam a um acordo (ou pelo menos é o que se espera).
Mas não é só com os atores que o diretor dialoga. Ele também expõe seus objetivos aos membros da equipe, explicando o que espera de cada um. E, como nem sempre as opiniões sobre o espetáculo coincidem, seguem-se as discussões e as trocas de idéias. Tudo acertado, o cenógrafo trata de criar os cenários adequados; o iluminador estuda as várias formas de usar a luz; o sonoplasta define a trilha sonora; o figurinista concebe as roupas que cada personagem irá vestir; o coreógrafo cria as coreografias que serão utilizadas; e assim por diante.
Depois de muito ensaio e muito esforço, a peça está pronta para ser apresentada ao público. Se atrair um número grande de expectadores, será um sucesso de bilheteria, e a venda dos ingressos não só pagará as despesas que não foram cobertas pelo produtor, como ainda renderá bons lucros. Porém, infelizmente não é isso que acontece com a maioria dos grupos de teatro do Brasil. Em geral, por falta de produtor, as montagens são escassas e, quando acontecem, passam por inúmeras dificuldades, inclusive a busca de patrocínios diversos  que possam cobrir pelo menos as despesas. Em Salvador, o teatro vem aos poucos conquistando o público com excelentes montagens e atores que buscam uma maior visibilidade na esperança de serem reconhecidos por diretores do sul do país que possam incluí-los no elenco das novelas, como tem acontecido com alguns que já fazem sucesso nas emissoras do eixo Rio - São Paulo. Mas isso é outra história e estudaremos em outro momento. Por enquanto, aproveite a idéia do trabalho da Unidade, montando com muita criatividade, empenho e “profissionalismo” a peça que vocês vão criar para sua turma. É uma experiência inesquecível poder participar de uma montagem teatral e perceber todas as fases do processo de produção, a importância de cada etapa e o resultado final, no dia da apresentação. Pensem em todos os detalhes, pois são eles que fazem a diferença. Além disso, para quem vai atuar como ator ou atriz, existe a maravilhosa experiência de se colocar na pele de uma personagem, saindo de si mesmo, esquecendo todos os problemas e aprendendo a entender melhor essa complicada e surpreendente criatura humana. ENTREM DE CABEÇA NESSA IDÉIA!!!!!!!

Agora, um pouco de história: como surgiu o teatro
Os gregos tinham muitos deuses, um para cada coisa: um para proteger as plantações, um para controlar os mares, um para favorecer a sabedoria, e por aí afora.
Mas havia um deus muito especial, que inventou o vinho. Ele se chamava Dionísio (Baco para os Romanos). Diz a lenda que um dia estava descansando numa beira de estrada quando viu uma cabra comendo umas frutinhas redondas. Daí a pouco a cabra começou a pular e a berrar feito uma doida. Dionísio pensou: “Aí tem coisa!” E foi lá, pegou uma porção daquelas frutinhas, amassou bem e bebeu. Não deve ter sido bem assim, porque sabemos que entre amassar as uvas e beber o vinho é preciso fazer muita coisa e esperar um bom tempo. Mas lenda é lenda e não tem nenhum compromisso com a realidade.
O caso é que os devotos de Dionísio viviam em festa, bebendo, comendo, dançando e cantando. Era uma farra.
Um dia, conta a lenda, durante uma dessas festas apareceu um indivíduo chamado Téspis. Ele chegou numa carroça coberta onde guardava uma porção de máscaras, perucas, roupas. Então, enquanto os devotos estavam entretidos na celebração de Dionísio, lá dentro da carroça Téspis começou a se transformar em outra pessoa, num personagem: cobriu o rosto com uma das máscaras, botou uma bela peruca na cabeça e vestiu um manto todo bordado.
Quando acabou de se arrumar, levantou a cobertura da carroça e deu um berro. Silenciaram os risos, os gritos, a cantoria, as danças. Todo mundo parou e começou a prestar atenção ao que fazia aquela figura esquisita.
Foi então que Téspis falou: “Eu sou Dionísio. Escutem bem a minha história”. E começou a contar a lenda do deus do vinho, fingindo sentir todas as emoções que o próprio Dionísio teria sentido durante suas andanças pelo mundo das criaturas mortas.
Assim, contam que Téspis criou o teatro, no século VI antes de Cristo. Com o tempo ele foi se aperfeiçoando: ampliou os assuntos que abordava, passou a escrever suas peças, aprendeu a trocar rapidamente de máscara, roupa e peruca e chegou a representar sozinho todos os personagens de uma mesma peça. E, sempre viajando com sua carroça, levou sua arte a praticamente todas as regiões da Grécia.

O teatro do lado de lá do mundo: o teatro oriental
No oriente existem formas maravilhosas de fazer teatro. Algumas delas são típicas do Japão, como o teatro Nô e o Kabuki. Tanto um como o outro são encenados da mesma forma há mais de mil anos. A natureza é o tema principal de suas peças, que também contam histórias do folclore de seu povo. As roupas são muito bonitas e ricas e os atores usam bastante maquiagem. Da mesma forma que o teatro grego, só os homens podem atuar. Os papéis também são fixos, isto é, não mudam. Quando uma pessoa vai assistir a uma peça Nô ou Kabuki, não vai para ver a história, que ela já sabe qual é, mas para ver o trabalho dos atores. Muitos representam um único papel a vida inteira!!!

O teatro no século XX
A partir da virada do século XX, surgiram inúmeras tendências. O teatro de Eugene Ionesco foi um dos mais transformadores desse século. Possuía um estilo independente que renovou o Surrealismo e se fundamentava no inconformismo das convenções sociais. Com a estréia de “A cantora careca” em 1949, inaugurou um tipo de teatro, que mais tarde, à revelia dos seus criadores, foi chamado de Teatro do Absurdo, que refletia, entre outras coisas, a destruição de valores e crenças, após a Segunda Guerra Mundial. Esse teatro também se mostrava anti-realista e sem lógica, apresentando a linguagem como um grande obstáculo entre os seres humanos. Ionesco escreveu várias peças como: “A Lição”, “As cadeiras”, “O rinoceronte”, “O rei está a morrer” e “O peão do ar”, entre outras. Além de Ionesco, destacaram-se outros autores, como Samuel Beckett, que escreveu a peça “Esperando Godot”, em que dois vagabundos conversam esperando um misterioso Godot, que nunca aparece.
Falar em mudanças radicais sem falar de Bertold Brecht seria de certa forma ignorar reformas teatrais que exibem grande preocupação social, mostrando o ser humano em luta desigual com a sociedade industrial. Brecht queria transmitir conhecimento e não vivências em seu teatro que se caracteriza, como em outros campos artísticos, pela constante atitude de negação, de revolta e de renovação.
O ponto mais importante da teoria Brechtiana é a visão da peça teatral como um processo que se instaura contra a sociedade, no qual tudo deve servir de depoimento e argumentação, e deixando ao espectador o papel de juiz. Opondo-se radicalmente à empatia entre ator e público ou entre ator e personagem, ele exige que os espectadores utilizem plenamente seu aparelho mental e dessa forma possam elaborar uma atitude favorável à transformação da realidade que lhes foi apresentada no palco. Tal apresentação deve ser feita a partir de todos os ângulos possíveis da realidade, de forma que o espectador apreenda todas as formas pelas quais as coisas lhe são mostradas na vida real. Os atores devem demonstrar claramente que estão desempenhando um papel, e graças ao efeito de distanciamento, comunicar ao público a situação do personagem e do mundo.
Esse caráter revolucionário do teatro do século XX, que aparece tanto de forma expressiva no teatro europeu, está muito ligado à própria situação da época – transformações sociais e econômicas, duas guerras mundiais, queda da burguesia e ascensão do proletariado. Assim, o teatro expressou artisticamente, essa nova era de incerteza, descrença e desejo de mudança. As peças de Brecht rejeitam os padrões e valores vigentes inovando para acordar a platéia passiva.

(Autora do texto - Valéria Peixoto de Alencar)   http://educacao.uol.com.br

1ª Série - REFLEXÕES SOBRE A ORIGEM DA DANÇA: A DANÇA DOS POVOS ANTIGOS - 3ª Unidade 2018


O ser humano começou a dançar há muitos milênios. A dança foi surgindo ao longo dos milênios a partir da linguagem dos gestos e dos movimentos de nossos antepassados
Todas as danças antigas tendiam à união cósmica, isto é, relacionavam-se com o cosmos, o universo. É assim que podemos entender o processo de desenvolvimento da dança, que auxiliou e auxilia o homem na expressão e no conhecimento da natureza e da cultura, da divindade e das questões religiosas.
Com o tempo essas danças foram se tornando cênicas, isto é, passaram a ser apresentadas ao público com uma função diferente daquela de adorar os deuses ou a natureza.
Em cavernas como as da Serra da Capivara, no Piauí (Brasil), de Altamira (Espanha) e de Lascaux (França) é possível observar desenhos traçados nas paredes com cenas de pessoas em roda, correndo, saltando, dançando. Vemos, também, nessas pinturas rupestres, homens vestidos com peles de animais e imitando suas posturas.
Assim, podemos inferir que essas pessoas reproduziam momentos da vida cotidiana em seus rituais. Suas danças simulavam a caça e tinham um poder mágico. Era como se estivessem caçando de verdade. Pode-se dizer que acreditavam que essas danças podiam atrair animais para a caça.
As danças também teriam o poder de ajudar a lidar com as forças da natureza, como as tempestades e os raios, por exemplo.
Quando deixou de ser nômade, o homem começou a plantar e a criar animais para seu próprio consumo. Foi assim que surgiram a agricultura e a pecuária.
Naquela época, a natureza era respeitada e adorada como uma deusa, e o homem criava rituais e oferendas em forma de danças que festejassem a vida, a morte, o sol, a lua, as estrelas, a terra e seu preparo para o plantio, a celebração da colheita e a fertilidade dos rebanhos.
Imaginamos que as danças dessas épocas eram a expressão do que o homem sentia em relação ao seu mundo. Segundo alguns estudos, quando sentia alegria em viver, os movimentos eram vigorosos e rápidos. A morte era mostrada com movimentos pesados e muito lentos. As danças de plantio e colheita eram feitas batendo-se os pés no chão e com gestos de mãos e braços que representavam os atos de espalhar a semente e recolher o alimento plantado.

A Dança no Egito: Os egípcios dançavam por várias razões, mas principalmente como forma de descobrir e entender o mundo à sua volta. Quando a noite chegava, fitavam o céu e começavam a se movimentar e a dançar expressando o que viam, sentiam e entendiam. Havia a Dança da Estrela da Manhã, que representava os estudos que os sábios da época estavam desenvolvendo a respeito do conhecimento de astronomia.
O ritmo das cheias e vazantes do rio Nilo comandava os trabalhos de semeadura e colheita, que eram celebrados com as Danças da Primavera.
Havia muitas outras danças relacionadas aos deuses egípcios e por isso, chamadas de Danças Sagradas ou Divinas. Eram executadas por um só dançarino ou por duplas do mesmo sexo. Podiam ser acompanhadas por palmas, que marcavam o ritmo. Os dançarinos faziam muitas acrobacias, como ficar com as mãos e pés no chão, com a barriga para cima e fazendo um arco com as costas (ponte).
Outra dança representava a deusa Íris (deusa da lua e da noite), à procura do corpo do irmão morto Osíris (deus dos campos e cereais), para queimá-lo em uma pira (vaso em que se queimavam os cadáveres) e assim fazê-lo ressuscitar para uma nova vida.
Para o deus Amon (deus do sol), acontecia a procissão da “barca sagrada”, na qual bailarinos acrobatas executavam muitas proezas incríveis, como hoje fazem os artistas de circo.
As Danças dos funerais eram cheias de surpresa. No meio da cerimônia, quando menos se esperava, apareciam os “mouros”, dançarinos que, em duplas, chegavam perto das pessoas fazendo gestos simétricos como se fosse o espelho do outro. Os egípcios acreditavam que esses movimentos assegurariam ao morto a passagem para uma nova vida.
Existiam também as Danças Profanas, não sagradas, que aconteciam por ocasião dos banquetes em honra aos vivos ou aos mortos e para entregar recompensas a funcionários, ou ainda, nomear alguém para um cargo melhor.
Outras danças, chamadas de Danças Civis, eram executadas por pessoas comuns, como os serviçais, mulheres do harém ou pessoas ligadas ao palácio.

A Dança na Grécia: Na cultura grega, a dança ocupava um lugar muito importante. Em documentos e livros podemos verificar como a dança estava presente na vida do cidadão grego e era acessível a todos. Imagens mostram a dança nos ritos religiosos, nas festas, no treinamento militar, na educação das crianças, na vida cotidiana.
A opinião de filósofos e poetas era muito respeitada nessa cultura. Segundo o filósofo Sócrates (470-399 AC), a dança formava um cidadão completo e nunca era tarde para se aprender a dançar.
Platão (428-347 AC) também considerava a dança como parte da educação dos cidadãos. Dizia que ela servia para santificar e curar os corpos, além de trazer mais agilidade, beleza e sabedoria.
Os cidadãos gregos acreditavam no poder das danças mágicas e dançavam para seus inúmeros deuses. Um dos mais conhecidos é o deus Dionísio, deus da fertilidade e do vinho. Acreditavam que a orquestra (representação que incluía música e dança) nasceu com os agricultores, que traziam a uva para a praça, no centro de Atenas, para fazer a pisa.  Enormes cachos de uva eram esmagados com os pés, em um movimento coordenado.
As Danças guerreiras faziam parte dos treinamentos militares. De difícil execução, tinham movimentos muito atléticos. Sabemos que os dançarinos usavam, em algumas dessas danças, saltos muito altos e máscaras.

Dança na Índia: Na Índia é importante notar que, dependendo da região, a tradição das danças foi passada de geração a geração e se conserva até hoje. E elas são praticamente imutáveis.
Uma das danças mais importantes e mantidas até hoje é a Dança de Shiva (deus da dança), que representa a criação do universo e o cuidado com o mundo para que ele esteja sempre em harmonia.
Algumas danças indianas são chamadas de Danças Ragas. Cada Raga tem suas cores e representa certos poemas que se referem a lendas que falam das estações do ano ou das horas do dia. Essas lendas e seus personagens são representados em algumas pinturas hindus.
Os movimentos simétricos do corpo são muito marcantes nas danças indianas. O espaço é bem definido, pois a distância entre o centro do palco e os lugares onde o dançarino deve executar seus movimentos é medida de maneira rigorosa, assim como a posição dos músicos.
Os gestos são chamados de Mudras e também são muito presentes em todas as danças. A eles é atribuído um poder espiritual. Um exemplo, é o gesto feito com as mãos que simboliza a flor de lótus. Totalmente branca, essa flor nasce na lama e significa a transformação da sombra em luz, o desenvolvimento pessoal e o contato com o divino.

A Dança na Idade Média: Durante a Idade Média, aproximadamente do século V até o século XIV, o cristianismo tornou-se a força mais influente na Europa. Foram proibidas as danças teatrais, por representantes da Igreja, pois algumas delas apresentavam movimentos muito sensuais.
Mas os dançarinos ambulantes continuaram a se apresentar nas feiras e aldeias, mantendo a dança teatral viva. Em torno do século XIV, as associações de artesãos promoviam a representação de elaboradas peças religiosas, nas quais a dança era uma das partes mais populares.
Quando ocorreu a peste negra, uma epidemia que causou a morte de um quarto da população, o povo cantava e dançava freneticamente nos cemitérios; eles acreditavam que essas encenações afastavam os demônios e impediam que os mortos saíssem dos túmulos e espalhassem a doença. Isto ocorreu no século XIV.
Durante toda a Idade Média, os europeus continuaram a festejar casamentos, feriados e outras ocasiões festivas com danças folclóricas, como a dança da corrente, que começou com os camponeses e foi adotada pela nobreza, numa forma mais requintada, sendo chamada de carola. No final da Idade Média a dança tornou-se parte de todos os acontecimentos festivos.


(baseado no texto de Antonio José Faro)